Aqui você vai encontrar pensamentos de alguém que não aceita as coisas como são, que não tolera frases como "sempre foi assim, não vai mudar". Não esqueça são apenas pensamentos, e eles nem sempre farão sentido para você.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Memórias de uma estudante parte II: quando a educação ultrapassou os muros da escola.

Quando decidi fazer licenciatura....

Bom, daí começou um dilema na minha vida, afinal o que eu sabia sobre educação? Nada, a princípio. Para concluir a formação pedagógica foi necessário cursar apenas a disciplina de didática e de políticas educacionais e partir para o estágio. Posso dizer que as teorias que me ajudaram muito nessas horas vieram da sociologia mesmo. Bourdieu com seu estudo sobre o habitus, Marcel Mauss com sua teoria do Dom, Malinowski em seu estudo sobre as ilhas Trobriand, Levis-trauss com suas diferentes e complicadas estruturas, sem esquecer é claro de Marx, Weber e Durkhein. Todas essas teorias contribuíram para que hoje eu consiga perceber o mundo de forma relativista e compreenda as diferentes estruturas de pensamentos que encontramos por aí. E acredito que para atuar na educação isso seja fundamental visto que trabalharemos com pessoas e pessoas diferentes, além de ser necessário estar sempre aberta para o novo.

Quando comecei o estágio fiquei um pouco apavorada, vamos dizer assim, não sabia muito bem o que fazer diante de 30 alunos que esperavam algo de mim e que eu também não sabia o que era. Montei o planejamento junto com o meu professor orientador e acho que erramos no início, os alunos não estavam interessados naquelas falas todas que eu proferia. Então, algumas mudanças foram feitas para tornar a aula mais interessante e provocar discussões. Para isso usei de recursos como fotos, vídeos, trabalhos em grupos e pesquisa. Permiti que os alunos falassem mais do que eu, foi quando me lembrei de Paulo Freire e sua pedagogia da autonomia. Foi quando me dei conta de que é muito mais interessante e produtivo construir o conhecimento juntos do que simplesmente dá-lo aos alunos.

A partir desse momento procurei conduzir os alunos para que eles pudessem perceber e desvelar os conceitos que eu estava trabalhando. Neste momento eles passaram a interagir muito mais em aula e demonstrarem-se muito mais interessados. Partimos então para um trabalho de campo, o qual os alunos não gostaram de início. Neste momento também percebi que precisava ser uma pouco mais firme com eles, o que deu um excelente resultado. Os trabalhos que eles apresentaram foram excelentes, alcançaram todos os objetivos propostos em aula. E o mais importante pra mim, aprenderam a ver o mundo de forma diferente. Segundo palavras deles, aprenderam a ver e pensar sociologicamente.

No final do estágio pensei muito sobre o que eles disseram e percebi que muito mais importante do que decorar conceitos é poder desnaturalizar o já está dado. Sei que agora eles não vão mais “cair” no senso comum tão fácil, vão poder olhar um noticiário e criticar, vão ler uma reportagem e analisar. Isso é muito mais importante do que simplesmente ensinar conceitos sociológicos é preparar seres humanos com senso crítico para o mundo.

Neste momento do meu estágio lembrei-me do livro de Rubem Alves “Pinóquio às Avessas” aonde o menino que vai a escola acaba se transformando em um boneco de madeira. Acredito que consegui com esse meus alunos fazer o contrário da escola contada neste livro, consegui transformar, nem que seja um pouco, meus bonequinhos de madeira em meninos reflexivos de verdade.

O melhor de tudo foi que no final do meu estágio em licenciatura acabei com todas as incertezas do que eu realmente queria fazer profissionalmente. Descobri e afirmei com essa formação pedagógica que quero ser professora. Sempre pensei que tinha de fazer algo impactante neste mundo, que precisava ajudar a mudar as coisas já que não aceito-as como são. E percebi que em uma sala de aula é possível mudar muita coisa, é possível contribuir fortemente para que o mundo tenha cada vez mais pessoas conscientes e críticas dos problemas sociais para que assim estes problemas sejam solucionados pouco a pouco.

Atuar diretamente com seres humanos para melhorar a nossa sociedade, com certeza é mais do que minha vontade profissional é o meu propósito de vida.

Um comentário:

Rosangela disse...

creio filha que estas no caminho certo.
Parabéns,tenho muito orgulho de ter esta pessoa maravilhosa como minha filha.te amo