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terça-feira, 10 de junho de 2008

Estamira

O documentário “Estamira” que retrata a vida de uma mulher com mais de 60 anos de idade sendo desses 20 de sobrevivência em um lixão, conta também a história de milhões de pessoas que vivem na miséria. Estamira não é uma personagem isolada, ela é o exemplo de várias outras pessoas que retiram o seu sustento das sobras de outros. Engana-se quem vê o lixão apresentado no documentário como cenário para a história de vida de Estamira, é a história dessa mulher que serve como cenário para a vida “vivida” em um estado de miséria. Neste documentário percebe-se o quanto é fundamental o papel das políticas públicas presentes no cotidiano dessas pessoas, no momento em que são essas políticas que muitas vezes garantem a sua sobrevivência.

A “loucura” de Estamira é apenas o cenário usado para mostrar a vida de cidadãos excluídos da sociedade como tais. Sobreviver em razão do lixo de outras pessoas é um dos “trocadilho” que a personagem tanto aborda ao longo do documentário. Uma sociedade que permite a dualidade entre o muito e o nada necessita de política públicas que equilibrem essa contradição. São essas políticas que dizem respeito as questões distributivas, redistributivas, regulatórias e constitutivas dos direitos de cada cidadão.

Os indivíduos que compartilham das condições precárias de vida de Estamira são os alvos preferenciais das políticas públicas, elas fazem uma diferença significativa na vida deles. No documentário as políticas mais visíveis aos olhos, são as políticas de saúde. Estamira é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e somente por meio dele ela pode realizar consultas médicas e receber os medicamentos adequados (do pondo de vista médico e não dela) ao seu quadro de perturbação mental. E assim como ela, muitas pessoas só tem acesso a qualquer atendimento relacionado a saúde através do sistema público, ou seja, das políticas públicas de saúde.

Existem diversas políticas públicas que atingem essa grande parcela da população brasileira, como o sistema de ensino público. Dentro deste sistema existem outras políticas que procuram amenizar as dificuldades de acesso a universidade, como o Prouni e o Sistema de Cotas. E além das políticas de ensino, pessoas como Estamira também necessitam de políticas de redistribuição de renda para suprir necessidades básicas que o trabalho no lixão não dá conta, o Programa Bolsa Família é um bom exemplo. Sem esses programas seria inviável para Estamira ter acesso a alimentação, vestuário, educação e saúde.

A legislação sobre transporte público gratuito para maiores de 60 anos é outra política que beneficia diretamente Estamira. Na sua atual condição de vida esta política pública lhe permite o deslocamento até o posto de saúde para um atendimento regular. Deste modo é possível perceber que as políticas públicas estão imbricadas na vida das pessoas, como ações que contribuem para a sobrevivência dos mesmos.

Portanto, o documentário ressalta a precariedade da vida de muitas pessoas no Brasil e como é importante para elas a existência de políticas públicas. Sem as ações do Estado relacionadas a saúde, educação, renda, assistência social e outras áreas, seria impossível sobreviver somente do lixo de outros indivíduos.

Um comentário:

InA disse...

Assisti Estamira...Há poesia naquele lixo de filme,não o filme não é lixo, o filme é bom, não caiu na tentação de "retrato de um louquinho", é muito mais do que isso, e é grave.
Grave também é a frase que ouvi e compartilhei com você, só para lembrar, aí vai:
Eu odeio estudar isso, eu nasci para estudar medicina!
pequeno glossário do relato:
isso: políticas públicas
isso 2: estudante de medicina.

beijos desapontados